"No Pantanal não se pode passar régua -
sobremuito quando chove.
Régua é existidura de limites:
E o Pantanal não tem limites.
Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com água.
Passarinhos pedras árvores já estão comprometidos com água.
Nos brejos, de noite, e o silêncio fala:
Sapo nu tem voz de arauto
Conchas mandam recado
Camaleões conversam baixo
Lagartixas pastoreiam borboletas.
Aqui, bonito é o desnecessário.
Beleza e glória das coisas o olho se põe.
Aqui:
A elegância e o branco devem muito às garças.
Manoel de Barros