sábado, 14 de abril de 2018

A Ecologia

A ecologia não é só floresta tropical, poluição, papel reciclável, hippies abraçando árvores, camada de ozônio e outras coisas do gênero. É muito mais complexa e fascinante. Os ecologistas, ao investigar as complicadas interações entre os seres vivos e seu ambiente, estão interessados tanto nas características físicas de espécies minúsculas quanto no impacto global das mudanças ambientais. Tudo isso é fundamental para o bem-estar de nosso planeta. A derrubada de uma árvores, digamos, na Cochinchina, pode ter reflexos na rua onde você mora. 




sábado, 7 de abril de 2018

Crise de extinção e crise dos biomas.

Além de uma "crise de extinção", ao nível de espécies, existe uma crise mais ampla, a "crise dos biomas", muito mais grave, pois, resulta da destruição dos ambientes naturais, onde as espécies surgiram e se desenvolveram. Com a destruição de seus habitats naturais, ela fatalmente desaparecerão. O Brasil possui grandes áreas em estado crítico ou ameaçadas. Não apenas extinções e destruição de habitats têm sido observadas, mas deslocamentos da distribuição de espécies e de biomas têm sido demonstrados (Peñuelas & Boada 2003). 
Tudo mostra o quão delicada e susceptível são a existência e a distribuição dos seres vivos em nosso Planeta e quão graves são as modificações que nele estão ocorrendo em função das atividades humanas.
Em termos nacionais, muito se tem escrito sobre a crescente destruição de grandes regiões naturais do país, como a Amazônia, a Mata Atlântica, o Cerrado (cerrado lato sensu) e outras mais. 

O conceito de bioma.

O termo bioma - do grego Bio = vida + Oma = grupo ou massa.

O termo fitofisionomia foi proposto praticamente ao mesmo tempo que o termo formação (vegetação). O termo bioma, proposta mais tarde, apenas adicionou a fauna à uniformidade fitofisionômica e climática, características desta unidade biológica (fauna e vegetação associadas). 
Várias modificações conceituais foram apresentadas ao longo do tempo, acrescentando outros fatores ambientais ao conceito original, como o solo, a altitude, o fogo natural, por exemplo. 
Um conceito essencialmente ecológico considera bioma como uma área de ambiente uniforme, pertencente a um zonobioma, o qual é definido de acordo com a zona climática em que se encontra.

Para Walter (1986), "Um bioma, como ambiente, é uma área uniforme pertencente a um zonobioma, orobioma ou pedobioma."
Considerado como um ambiente, este conceito é fundamentalmente ecológico, levando em consideração não apenas o clima, mas também a altitude e as características do solo. Ele considera todo o ecossistema. 

Bioma e domínio morfoclimático e fitogeográfico não são sinônimos, uma vez que este último não apresenta necessariamente um ambiente uniforme.

~ Zonobioma ~ biomas que se distribuem de forma aproximadamente zonal, acompanhando as zonas climáticas terrestres. 
(os zonobiomas têm grandes dimensões, distribuindo-se pelo globo terrestre através dos continentes. Já os domínios morfoclimáticos e fitogeográficos de Ab'Saber (1977) têm dimensões subcontinentais, de milhões até centenas de milhares de quilômetros quadrados (Watanabe 1997). Os biomas podem restringir-se a pequenas áreas ou chegar até mais de 1 milhão de quilômetros quadrados (Walter, 1986). Um mesmo tipo de bioma é representado por uma ou mais áreas, distintas geograficamente, constituindo, cada qual, uma unidade daquele tipo de bioma. 

~ Walter (1986) - considera como bioma uma área do espaço geográfico, com dimensões até superiores a um milhão de quilômetros quadrados, representada por um tipo uniforme de ambiente, identificado e classificado de acordo com o microclima, a fitofisionomia (formação), o solo e a altitude, os principais elementos que caracterizam os diversos ambientes continentais
Introdução de uma modificação posterior - a recorrência de fogo natural, um outro elemento de importância na determinação de certos ambientes terrestres. 

(Os biomas característicos de cada Zonobioma são chamados simplesmente de biomas ou eubiomas. Quando eles não correspondem, ou não refletem a zona climática em que se encontram, sendo co-determinados por algum outro fator ambiental, como altitude ou solo, eles são chamados, respectivamente, de orobiomas ou pedobiomas, seguidos pelo número romano das suas zonas climáticas respectivas (orbobioma I, orobioma II, pedobioma I, pedobioma II etc.) 

~ Fitogeografia ou geobotânica é uma disciplina multidisciplinar que versa sobre a distribuição geográfica dos vegetais e de comunidades nas diversas regiões do globo conforme as zonas climáticas e factores que possibilitam a sua adaptação, principalmente fatores do meio físico. A fitogeografia pode ser dividida em fitogeografia florística e fitogeografia ecológica. 
A fitogeografia atualmente adquiriu novos métodos de investigação utilizando-se de técnicas de geoprocessamento e geografia para mostrar a dinâmica dos vegetais e da cobertura vegetal no espaço geográfico. Seus estudos são realizados principalmente por ecólogos, botânicos e geógrafos.

~ Os domínios morfoclimáticos representam a combinação de um conjunto de elementos da natureza - relevo, clima, vegetação - que se inter-relacionam e interagem, formando uma unidade paisagística. No Brasil, o geógrafo Aziz Ab'Saber foi o responsável por fazer essa classificação. 
Os domínios morfoclimáticos representam a interação e a integração do clima, relevo e vegetação que resultam na formação de uma paisagem passível de ser individualizada. 
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Entre os seis domínios morfoclimáticos existem as faixas de transições. Nessas faixas são encontradas características de dois ou mais domínios morfoclimáticos. Algumas conhecidas são o Pantanal, o Agreste e os Cocais.

Os seis domínios morfoclimáticos brasileiros


Aziz Ab’Saber foi o geógrafo brasileiro que classificou os domínios morfoclimáticos brasileiros.

( Domínio Equatorial Amazônico: situado na região Norte do Brasil, é formado, em sua maior parte, por terras baixas, predominando o processo de sedimentação, com um clima e floresta equatorial. / Domínio dos Cerrados: localizado na porção central do território brasileiro, há um predomínio de chapadões, com a vegetação predominante do Cerrado. / Domínio dos Mares de Morros: situa-se na zona costeira atlântica brasileira, onde predomina o relevo de mares de morros e alguns chapadões florestados, como também a quase extinta Mata Atlântica. / Domínio das Caatingas: localiza-se no nordeste brasileiro, no conhecido polígono das secas, caracterizado por depressões interplanálticas semiáridas. / Domínio das Araucárias: encontra-se no Sul do país, com predomínio de planaltos e formação de araucárias. / Domínio das Pradarias: também conhecido como domínio das coxilhas (relevo com suaves ondulações), situa-se no extremo Sul do Brasil, no estado do Rio Grande do Sul, com predominância da formação dos pampas e das pradarias. )

sexta-feira, 6 de abril de 2018

Cerrado

O bioma Cerrado é considerado o segundo maior bioma brasileiro em extensão e a mais rica savana do mundo em biodiversidade. 

Localização do Cerrado brasileiro
O Cerrado brasileiro abrange os estados: Amapá, Maranhão, Piauí, Rondônia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo, Tocantins, Bahia.
Localiza-se em três das maiores bacias hidrográficas da América do Sul, (Tocantins-Araguaia, São Francisco e Prata) o que, de certa maneira, favorece sua biodiversidade.

Clima e vegetação
O clima predominante no cerrado é tropical sazonal caracterizado por um clima quente com períodos chuvosos e de seca. 
A vegetação é, em sua maior parte, semelhante à de savana, com árvores baixas, esparsas, troncos retorcidos, folhas grossas e raízes longas; gramíneas e arbustos. 

Por ser muito extenso, o cerrado, dependendo de sua localização, apresenta mudanças no seu ecossistema. Nesse caso, os ecossistemas presentes no cerrado podem ser classificados como:
  • Cerradão
  • Cerrado campestre
  • Cerrado rupestre
  • Cerrado típico
  • Campo cerrado
  • Campo limpo de cerrado
  • Cerrado de matas
  • Cerrado de várzeas
  • Cerrado veredas

Flora e Fauna do Cerrado
O Cerrado é considerado a maior savana do mundo em biodiversidade e compreende grande parte do território brasileiro, uma área de 2 milhões de Km². Por isso o cerrado e os ecossistemas que o compõem possuem uma rica fauna e flora, sendo o habitat de muitas espécies de animais. 

~ Exemplos de animais do Cerrado
Jiboia, cascavel, jararaca, lagarto teiú, ema, seriema, curicaca, urubu comum, urubu caçador, urubu-rei, arara, tucano, papagaios, gaviões, tatu-peba, tatu-galinha, tatu-canastra, tatu-de-rabo-mole, anta, ariranha, gambá, cervo, onça-pintada, preá, cachorro-vinagre, lobo-guará, lontra, tamanduá-bandeira, tamanduá-mirim, gato-palheiro, gato-mourisco, veado-mateiro, cachorro-do-mato, macaco-prego, quati, cateto, queixada, porco-espinho, capivara, tapiti, jaritataca. 

~ Flora
Com aproximadamente 10.000 espécies diferentes, na flora presente no cerrado, encontram-se: babaçu, murici, mangaba, pequi, buriti, cagaita, baru, jerivá, gueroba, jatobá, macaúba, cajuzinho-do-cerrado, barbatimão, pau-santo, gabiroba, pequizeiro, araçá, sucupira, pau-terra, catuaba, indaiá, capim-flecha, matas ciliares. 

Desmatamento no Cerrado
A despeito de apresentar uma rica grande biodiversidade, esse bioma vem sofrendo muito com o desmatamento, principalmente ocasionados pela agricultura. 
Hoje, o bioma conserva apenas 20% de sua área total, passando por um grande processo de descaracterização, ou seja, ocupado por grandes pastagens de gado e extensas plantações de soja, algodão, cana, eucalipto.
Além disso, grande parte do cerrado já foi destruída pelo desenfreado processo de urbanização. 
O desmatamento e a caça ilegal, o contrabando de espécies e as queimadas, ameaçam o habitat de muitas espécies, levando, dessa maneira, à sua extinção.

Animais em risco de extinção no bioma Cerrado
Anta, capivara, onça-pintada, onça-parda, preá, paca, jaguatirica, cachorro-do-mato, calango, preguiça, teiú, cateto, gambá, lontra, tatu-bola, tatu-canastra, tamanduá-bandeira, cobras (cascavel, coral verdadeira e falsa, jararaca, cipó, jiboia), queixada, guariba.
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O Dia do Cerrado é comemorado dia 11 de setembro.

Serra da Bodoquena.

Serra da Bodoquena, situada na borda sudoeste do Complexo do Pantanal, Estado de Mato Grosso do Sul, é um dos mais interessantes ecossistemas do Pantanal. Formada pelas cidades de Porto Murtinho, Bonito, Jardim, Miranda e Bodoquena, conta com o Parque Nacional da Serra da Bodoquena, criado em novembro de 2000, com 76.400 ha, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Tufas calcárias modernas e antigas, estas últimas situadas em canais de drenagem abandonados, apresentam excelentes moldes de folhas, os quais, juntamente com estudos de isótopos de carbiono e oxigêncio, possibilitam interpretações paleoclimáticas e paleo-hidrológicas. Além deste interesse científico, as tufas calcárias formam conjuntos paisagísticos de inusitada beleza, muito procurados pelos turistas, motivos estes que implicam na necessidade de preservação deste depósitos e atenção especial para a qualidade das águas de seus rios, do que depende a continuidade do processo de formação destes depósitos.

Origem
Há mais de um bilhão de anos, formas primitivas de vida habitavam um antigo mar que existia na região.Alguns desses seres eram algas que proporcionaram a formação de sedimentos calcários.Com o tempo esses sedimentos se depositaram no fundo do mar, que secará e hoje esses sedimentos deram origem as pedras cinzas que podem ser avistadas nas cavernas da região, cuja idade é de 650 milhões de anos.

Rios
Os rios da região são conhecidos por suas águas muito cristalinas e bicabornatadas, de gosto salobro. Tal transparência deve-se aos seguintes fatores: a saída da nascente com pouquíssima turbidez, não adquirindo argila em seu movimento, nas nascentes rochas calcárias muito puras evitam a presença de argila. Este calcário presente nos rios que vem de tais rochas presentes nas nascentes age como um filtro, depositando as impurezas no fundo, onde rochas encontram-se em permanente dissolução e através de fraturas no solo formam cavernas, abismos e condutos subterrâneos.

Flora
Além do cerrado, vegetação típica do Brasil Central, encontra-se nos topos de morros, solos calcários e afloramentos rochosos onde ocorre a Floresta Estacional Decidual, onde as plantas perdem todas as folhas na época da estiagem. Em outros ambientes está presente a Floresta Estacional Semidecidual, que perde apenas parte das folhas no neste mesmo período. As matas ciliares  presentes nas beiras dos rios e cursos de água, perdem poucas folhas, possibilitando que a umidade seja grande em toda mata.Além, disso a mata ciliar faz papel de em grande protetor das águas cristalinas dos rios, protegendo o solo das chuvas fortes e evitando que o rio seja assoreado por montes de terra levados por estas.

Fauna
A fauna no Planalto da Bodoquena é interessante por seus hábitos. No período seco o agito deles é sinal de que para proporcionar o nascimento de seus filhotes no período da primavera e cresçam quando a oferta de alimentos é maior.
Existe simbiose muito harmoniosa entre as espécies da Serra da Bodoquena. Pássaros e capivaras são um exemplo, afinal as pulgas viram alimentos para os pássaros e a capivara ganha limpeza. O mesmo ocorre com os jacarés do papo amarelo, comuns na região e as borboletas.
Até o momento se conhece mais de 340 espécies de aves, 195 de mamíferos e 50 de peixes.

Clima
O clima tropical, com temperatura média variando de 25 a 30° C no verão de 15 a 20º C no inverno, podendo atingir 0 a 40°C O verão é chuvoso, e o inverno seco são as duas estações presentes no Planalto da Bodoquena. A média pluviométrica varia de 1200 a 1500 mm anuais e o período seco dura 3 a 4 meses com breves estiagens de maio a agosto.
No Planalto da Bodoquena, situado na borda sudeste do complexo do Pantanal, Estado de Mato Grosso do Sul, encontram-se em desenvolvimento inúmeros depósitos de tufas calcárias ao longo da drenagem atual na forma de cachoeiras e barragens naturais. A turbidez das águas dos rios é praticamente nula, e isto se deve ao fato de suas cabeceiras, que cortam o planalto e desembocam na margem esquerda do Rio Miranda, situarem-se em áreas de exposição de calcários muito puros.

Vista Parcial do Abismo Anhumas, evidenciando as formações calcárias nas paredes e submersas.

Tucano-toco (Ramphastos toco) em palmeira.

Maria-faceira (Syrigma sibilatrix).

Cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus).

Árvore típica do cerrado de tronco torto e recoberto de grossa cortiça.

Bem-te-vi (Pitangus sulphuratus) no toco.

Periquito-rico (Brotogeris tirica) se alimenta de semente.

Cachoeira de tufa calcária.

Lagarto comum (Tropidurus hispidus)

Jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) à beira de lagoa.

A palmeira e o sol poente.

Tucanos acompanham o pôr do sol.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Pantanal. Brasil.

Um dos ecossistemas mais ricos do Brasil, o Pantanal, estende-se pelos territórios do Mato Grosso (região sul), Mato Grosso do Sul (noroeste), Paraguai (norte) e Bolívia (leste). 
Ao todo são aproximadamente 228 mil quilômetros quadrados. Em função de sua importância e diversidade ecológica, o Pantanal é considerado pela UNESCO como um Patrimônio Natural Mundial e Reserva da Biosfera.

Aspectos Geográficos
O Pantana é formado por uma planície e está situado na Bacia Hidrográfica do Alto Paraguai. Recebe uma grande influência do rio Paraguai e seus afluentes, que alagam a região formando extensas áreas alagadiças (pântanos) e favorecendo a existência de uma rica biodiversidade. A época de chuvas e cheias dos rios ocorre durante os meses de novembro a abril.
A maior planície inundável do mundo é o Pantanal mato-grossense.

O clima do Pantanal é úmido (alto índice pluviométrico), quente no verão, e seco e frio na época do inverno.

Fauna do Pantanal: vida animal
O ecossistema do Pantanal é muito diversificado, abrigando uma grande quantidade de animais, que vivem em perfeito equilíbrio ecológico. 
Podemos encontrar, principalmente, as seguintes espécies: jacarés, capivaras, peixes (dourado, pintado, curimbatá, pacu), ariranhas, onça-pintada, macaco-prego, veado-campeiro, lobo-guará, cervo-do-pantanal, tatu, bicho-preguiça, tamanduá, lagartos, cágados, jabutis, cobras (jiboia e sucuri), e pássaros (tucanos, jaburus, garças, papagaios, araras, emas, gaviões). 
Além destes citados, que são os mais conhecidos, vivem no Pantanal muitas outras espécies de animais. 
Animais do Pantanal em risco de extinção: cervo-do-pantanal, tuiuiú e capivara.

Flora do Pantanal
Assim como ocorre com a vida animal, o Pantanal possui uma extensa variedade de árvores, plantas, ervas e outros tipos de vegetação. Nesta região, podemos encontrar espécies da Amazônia, do Cerrado e do Chaco Boliviano. 
Nas planícies (região que alaga na época das cheias), encontramos uma vegetação de gramíneas. Nas regiões intermediárias, desenvolvem-se pequenos arbustos e vegetação rasteira. Já nas regiões mais altas, podemos encontrar árvores de grande porte. 
As principais árvores do Pantanal são: aroeira, ipê, figueira, palmeira e angico.

Economia do Pantanal
Umas das principais atividades econômicas do Pantanal é a pecuária. Nas regiões de planícies, cobertas por formação vegetal de gramíneas (alimentação para o gado), estão estabelecidas diversas fazendas de gado. Há também a atividade da pesca, uma vez que é grande a quantidade de rios e de peixes na região pantaneira. 
O turismo também tem se desenvolvido muito na região. Atraídos pelas belezas do Pantanal, turistas brasileiros e estrangeiros tem comparecido cada vez mais, gerando renda e empregos no Pantanal. A região é muito bem servida em hotéis, pousadas e outros serviços turísticos. 

Desmatamento
De acordo com dados do ano de 2009, 15,4% da vegetação nativa (original) do Pantanal já havia sido desmatada. Dos 150.457 km2 da área original do Pantanal, 127.298 km2 (84,6%) encontra-se preservada. O Pantanal é o segundo bioma mais preservado do Brasil, ficando atrás apenas da Amazônia Legal (84,96% preservada - dado de 2013).

terça-feira, 3 de abril de 2018

No Pantanal Sul.

A paisagem, uma das mais belas do Planeta, é resultado das fortes chuvas ocorridas na região, principalmente durante os meses de novembro a março, o chamado "período das cheias".
A vegetação, muito rica e colorida, é composta por várias espécies. Desde plantas aquáticas e matas ciliares, até exemplares do cerrado e caatinga. 
Camalotes - Os camalotes são típicos. Com suas flores azuis e lilases, costumam ser encontrados sobre os remansos dos rios e lagoas, formando verdadeiros tapetes flutuantes.
Ipês - Outra espécie muito encontrada no Pantanal Sul é o ipê, que floresce durante os meses de setembro a outubro. Seu colorido, que pode ser tanto o amarelo quanto o roxo, avista-se de longe.
Fauna - No Pantanal Sul, encontramos um dos maiores habitats de espécies animais do Planeta. 
. Mais de 650 espécies de aves. Incrível variação de cores e tamanhos. Exemplos são o pica-pau, o famoso e imponente tuiuiú, a arara-azul (a maior arara do mundo), o canindé.
. Cerca de 230 espécies de peixes, como os dourados, pintados, pacus, curimbatás, piraputangas, piaus, etc.
O homem - o homem pantaneiro, com uma cultura bastante peculiar e cheia de "causos", passa quase que o dia todo na lida com o gado, principal atividade econômica da região, ou pescando, uma herança que recebeu dos indígenas Guaranis, Paiaguás e Guatós. 
Travessias de alagado - No conduzir de um gado, é mesmo um trabalho na larga. Sente-se pois então que árvores, bichos e pessoas, têm natureza assumida igual. Todos se fundem na mesma natureza intacta. Sem as químicas do civilizado. O velho quase inimismo.
A atividade mais antiga do Pantanal é a pesca amadora, ou esportiva. A segunda isca viva mais utilizada é o caranguejo.
O gado - o gado é criado de forma extensiva, alimentando-se basicamente de pasto nativo. 
A arte - Com suas origens indígena e popular, o artesanato do Pantanal é algo extremamente curioso, estas duas vertentes se confundem, formando um estilo ímpar, onde a cerâmica se destaca e a fabricação de instrumentos musicais típicos da região, como a viola de cocho.
A cultura - O Pantanal Sul abriga um dos maiores patrimônios históricos do Brasil. Corumbá, a maior cidade e mais importante cidade pantaneira, é formada por inúmeras construções seculares, como o casario de Porto Geral, localizado às margens do Rio Paraguai, e que foi a primeira via de acesso à região e o mais importante entreposto comercial do início do século.

Um lugar adâmico.

An adamic place

"No Pantanal não se pode passar régua -
                    sobremuito quando chove.
Régua é existidura de limites:
E o Pantanal não tem limites.

Todas as coisas deste lugar já estão comprometidas com água.
Passarinhos pedras árvores já estão comprometidos com água.
Nos brejos, de noite, e o silêncio fala:
Sapo nu tem voz de arauto
Conchas mandam recado
Camaleões conversam baixo
Lagartixas pastoreiam borboletas.

Aqui, bonito é o desnecessário.
Beleza e glória das coisas o olho se põe.
                                                      Aqui:
A elegância e o branco devem muito às garças.

Manoel de Barros